Já dizia o velho ditado: "Não existe almoço grátis". Mas o termo "velho" cai muito bem aí, parece que algo está mudando em nossa economia, parece que agora a cultura do free impera.
Na semana passada eu estava conversando com alguns amigos sobre essa mudança de paradigma econômico, que agora as pessoas se recusam a pagar por alguns tipos de serviços, principalmente os serviços online. Quem que lê este blog que paga algum serviço online?
Eu, pessoalmente, pago somente o flickr e acredito que me recusaria a pagar algum outro seviço online. Há algum tempo atrás rolou um buzz muito grande no ciberespaço devido a uma decisão da last.fm. O site decidiu cobrar uma taxa, aproximadamente R$6,00 por mês, para usuários de alguns países. Isso, por motivos óbvios, incluiu o Brasil, país onde todos queremos almoço grátis o tempo todo, principalmente no mundo virtual. Eu não acho que esse preço seja abusivo. Acho muito compatível com o poder aquisitivo de um classe média brasileiro que tenha uma banda larga e que escute música de todos os mais variados ritmos o dia todo.
Bom, continuando o raciocício da mudança de paradigmas sócio-econômico-culturais, em debate com um amigo, formado em história, ele levantou uma hipótese de que nada mudou. Que tudo continua a mesma coisa: as pessoas querem tudo pelo menor preço, e esse preço agora é o grátis.
Algumas correntes defendem que existe o banditismo (não aquele banditismo por falta de comida, sim aquele para ter o seu iPod, celular, Nike Shox etc, por questão de moda) porque o "cidadão" é hiperestimulado a consumir tudo aquilo o tempo todo, e como ele não possui um poder aquisitivo compatível para o consumo, a forma que ele encontrou de consumir foi roubando de quem pode consumir.
Então, nós todos somos hiperestimulados a consumir. Vemos placas de promoções o tempo todo, sempre dizendo que o preço é o menor, que parcela-se em 200x, que cobre-se qualquer oferta. A propaganda, o contexto e a nossa cultura nos faz querer consumir tudo o tempo todo, num frenesi alucinado (redundante, mas na cultura do hiperestímulo é permitido). E o ciberespaço não é diferente, e mais, é mais fácil conseguir algo grátis, como opções de software livre e ferramentas que rodam na nuvem de conexões. E se não existe grátis, é fácil, rouba-se, a pirataria está aí. Crackers quebram códigos de programas caríssimos o tempo todo.
Acha tudo uma palhaçada? O youtube deve ter um prejuízo de U$174,2 milhões este ano. Agora imagine a internet SEM o youtube, nossa globo, a fazenda, BBB, jeremias muito doido, tapa na pantera e outros. Imagine o youtube pago! Impossível.
Fato é que nossa economia muda um pouco, como tudo ela é levada ao seu extremo de consumo. E, coincidência ou não, o Chris Anderson, autor do livro "A Cauda Longa", lançou seu mais novo livro, entitulado "Free", disponibilizado também de forma free.
Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
A cultura do Free
Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
Futebol e religião
Um assunto que entrou em pauta ultimamente foi a questão de alguns jogadores brasileiros terem comemorado a vitória da Copa das Confederações através de um "culto" religioso no centro do campo. E isso despertou um incômodo principalmente no órgão maximo do futebol na Dinamarca, um país laico.
A notícia completa você confere aqui.
Comecei a pensar sobre o assunto. A primeira coisa que pensei foi: "Poxa, tudo bem, eles só rezaram, praticaram a sua religião ali. Quem acredita em algo tem o direito de agradecer a quem acha que tem que agradecer." Não tenho religião, mas respeito todas as religiões e suas práticas.
Então eu comeci a ir além no meu raciocínio e imaginei um muçulmano estendendo o tapete dentro de campo, virado pra Meca e começando a rezar. Todos sabemos que depois das Torres Gêmeas, os muçulmanos nunca mais serão vistos como amistosos. Mas tudo bem, ele só ajoelhou e começou a rezar, não tinha nenhuma bomba amarrada nem nada.
Mas fui ainda mais além e pensei em religiões menores, e pensei na seleção jamaicana. Suponha que os jogadores fossem Rastafaris e começassem a fumar maconha, o que a moral da sociedade acharia? Ou que alguns brasileiros fossem do culto do Santo Daime e começassem a ter alucinações dentro de campo (após o jogo, claro)? Ou até mesmo um exemplo mais proximo de nós, imaginem a umbanda e o candomblé, que por algumas vezes sacrificam animais em seus cultos. O que seria do PETA (que foi contra o Obama matar uma mosca) e do mundo ocidental se sacrificassem um bode no centro do campo!
Muitos vão dizer que essas manifestações não são religiões. Quem sou eu pra dizer o que é e o que não é religião? Ou mais, o que define que um culto tem o status de religião?
Então, é válido permitir cultos no esporte só porque eles estão dentro dos padrões morais ocidentais? Proibe-se tudo? Libera-se tudo?
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Publicidade Hermana
É gente, acho que tenho acredito que algumas pessoas entram aqui, e acho que o twitter tem sido uma ótima forma de divulgar, mas indo ao que interessa…
Eu gosto pra caramba de publicidade argentina. Acho que elas são muito criativas, são engraçadas, a estética é muito bonita, algo meio retrô, mas ao mesmo tempo contemporâneo, nem antigo ni viejo, e até mesmo a redação (que não percebo muito) me agrada. Acho que ela consegue chegar muito perto das pessoas, do seu cotidiano, das coisas que pensamos mas não falamos.
Não sei se isso é coisa de publicidade argentina em geral ou se é a estética que a BBDO de lá adotou… Mas gosto, gosto mesmo.
Deixo aqui em baixo 4 vídeos que eu acho espetaculares.
Doritos – Que vuelvan los lentos (BBDO)
Sprite – Las cosas como son (acredito que seja BBDO também)
Não se atenham a esses vídeos, todos os vídeos de ambas as campanhas valem muito a pena ver e renderão momentos de prazer. ;)
Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Duas cabeças pensam melhor que uma.
Não muito raro, em algumas empresas sem experiência em design e criação, você vê o profissional de criação trabalhando sozinho. Isso aconteceu comigo em todos os lugares que estagiei até hoje (não que tenham sido muitos os lugares, como você pode ver no meu curriculum). Em todas essas vezes eu senti muito a falta de alguém da minha mesma área para criar, outras pessoas me ajudaram muito com críticas, sem querer desmerecê-las, mas elas eram desenvolvedoras de sistemas, jornalistas, programadoras, pscicólogas etc, mas nenhum designer ou alguém que pretendia fazer criação na vida (não vale pensar em um fazendeiro aqui).
Duas pessoas criando juntas, o que rola? Elas falam besteira, elas brincam, se sacaneiam, dão pitacos no trabalho da outra, fazem brainstorm, riem. Uma pessoa criando sozinha, o que rola? Ela fica sentada em frente ao pc, olha trabalho dos outros, lê blogs, conversa no msn. Uma pessoa sozinha não tem quem critique o trabalho dela, não tem quem ajude a desenvolver pontos fracos, tudo que está na tela é o gosto dela e o que ela acha q deve ser o trabalho, nesse caso só a opinião dela importa.
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Ponta de cigarro também é lixo.
O cigarro. Não escondo que tenho um nojo profundo em relação a ele, não escondo que odeio sentir o fedor quando tem alguém fumando do meu lado e minha vontade é de dar um tapão no cigarro dessa pessoa, não escondo que eu acho que cada pessoa que resolva fumar, deveria andar com um cubículo fechado em si mesmo para fumar e não encher o saco de quem não fuma e não gosta do cheiro. Também acho um absurdo existir uma lei federal que proiba o fumo dentro de ambientes públicos fechados, mas que todo mundo ache super normal sentir o fedor de um cigarro dentro de boites ou bares.
Deixo alguns dados sobre fumo que peguei de uma reportagem no G1:
- “Atualmente, 18,8% da população brasileira com mais de 15 anos é fumante.”
- “No Brasil, 200 mil mortes anuais são causadas pelo tabagismo.”
- “… fumantes passivos têm um risco 23% maior de desenvolver doença cardiovascular e 30% mais chances de ter câncer de pulmão.”
Mas deixando minha indignação contra o cigarro de lado, eu queria falar de uma coisa simples, a ponta do cigarro. Eu poderia dar outra estatística aqui e falar que 98% das pessoas que fumam acham que aquela pontinha que sobre não é lixo e jogam elas naturalmente no chão, no lugar que estejam.
Como a maioria dos leitores daqui sabe, eu estudo no IACS, e sou orgulhoso de estudar lá e saber que existem muitas pessoas “antenadas” que se importam com movimentos sociais, se importam com poluição, com natureza. Mas é muito frequente ver algum fumante, lá, jogar essa pontinha de cigarro no chão. Sempre que vejo isso eu sinto uma raiva profunda! Quando minha mãe joga do meu lado eu também sinto uma raiva grande, mas já consegui ensinar a ela que aquilo também é lixo, então ela apaga direitinho e joga no lugar correto: uma lixeira.
Deixo aqui meu pedido encarecido para todos, fumantes ou não fumantes. Eduquem (-se)! Ponta de cigarro também é lixo!
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Fluxo de trabalho, qual é a melhor solução?
Eu estava conversando com meu amigo Sávio e discutindo sobre o fluxo de trabalho de criação em design. Chegamos a conclusão de que é um problema MUITO grande o cliente chato, que aprova layout, liga, desaprova, muda isso e aquilo, você refaz, ele não gosta de algo, você refaz, ele não gosta, você refaz, ele não gosta, você refaz, ele manda cancelar o serviço. Duas semanas depois você vê um layout com ele IGUAL ao seu, que ele levou a idéia para o sobrinho dele produzir.
Como evitar isso? Pensei em duas estratégias.
Com o design e redesign:
- Faço o layout de três peças e apresento ao cliente;
- Ele mostra que layout prefere e dá as opiniões;
- Refaço o layout e reapresento, ele dá as opiniões;
- Refaço o último layout e apresento;
- Se ele quiser outro redesign, ele paga um certo valor por isso.
Com o roubo da idéia:
- Entro com uma ação na justiça, pois tenho toda a criação com datas e assinaturas dele e espero um processo lento;
- Peço um “sinal” para o trabalho, algo em torno de 40%.
Claro que isto vale para clientes pequenos, maldosos etc. Com outros clientes que paguem melhor e estejam acostumados com este tipo de trabalho seria mais fácil, creio.
Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Nokia 5800 - Comes with Music
Eu estava vendo televisão agora e me deparei com uma propaganda desse Nokia 5800 – Comes with Music. A campanha fala que ao adquirir este aparelho você vai poder baixar milhões de músicas grátis. Ao acessar o site da campanha, vi q este celular, nestes padrões está disponível no Brasil, Austrália, Alemanha, Itália, México e Cingapura. Se pararmos pra pensar, mesmo sem uma análise muito aprofundada, a maioria dos países são países onde as pessoas tem costume de comprar música, ao invés de somente baixar as MP3 da internet.
A primeira pergunta que eu fiz quando acabou a propaganda foi: “Mas o brasileiro não já baixa música grátis? Qual o diferencial desse celular então?”. Alguém pensou na cultura do brasileiro antes de importar essa campanha assim?




